23 de Abril de 2019 | 21:48
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Policial
Noticia de: 16 de Janeiro de 2019 - 15:09
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“Não me mata, porque eu tenho filhos”, disse merendeira antes de ser morta

Filhas deixaram bilhetes para mãe, vítima do primeiro feminicídio do ano

Sem demonstrar remorso e ainda se vangloriar do crime e dos meios utilizados para ocultar as provas do primeiro feminicídio deste ano na Capital, o palhaço Sabiá, Jesus Ajala da Silva, 46 anos, se apresentou para a polícia ontem (15) acreditando que não ficaria preso por falta de indícios.

A delegada da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Jennifer Estevam de Araújo, disse que o suspeito ainda se lamentou por ter deixado um vestígio de sangue da merendeira Silvana Bertuliana, 42 anos, na pia da kitnet que morava.

“Ele disse que se não fosse isso, não teria sido encontrado. Ao se apresentar alegou que só falaria em juízo, mas como já tínhamos provas da sua autoria e mandado de prisão preventiva, decidiu confessar”, disse a delegada.

Conforme o depoimento do palhaço, o crime foi premeditado.  “Desde segunda-feira (07), ele sabendo que ela poderia terminar com ele, estava pensando em um jeito de matá-la”, acrescentou Jennifer.

O assassinato ocorreu na quarta-feira (09), quando a vítima foi até a residência de Sabiá para conversar com ele. “Quando ela chegou lá, a faca já estava próxima a cama”. O palhaço irá responder por feminicídio e ocultação de cadáver.

A polícia chegou até ele após o depoimento da filha mais velha da vítima, de 12 anos. Assim que o corpo foi encontrado na sexta-feira (11), em terreno de um imóvel na região do Portal Caiobá, com uma faca cravada no peito, o Grupo de Operações e Investigações (GOI) foi acionado e suspeitou do ex-marido da merendeira.

Os policiais foram até Ribas do Rio Pardo e encontraram as filhas da vítima. “Ele tinha o álibe de estar com as meninas em casa e trabalhando no dia do crime, por isso foi descartado. A filha da Silvana contou para os policiais que ouviu uma discussão da mãe com o namorado, na terça-feira (08). A vítima queria terminar o relacionamento e ele não queria aceitar.”

A menina ainda teria ouvido o palhaço dizer: “Se você não ficar comigo, não vai ficar com mais ninguém”. Na quarta-feira (09), a vítima saiu de casa por volta das 14h e avisou a filha que iria na casa de Sabiá, para uma conversa. Depois disso não voltou mais.

As filhas da vítima decidiram ligar para os irmãos, que levaram as meninas para a casa do pai, em Ribas. A polícia encontrou na residência de Silvana vários bilhetes das crianças pedindo que a mãe entrasse em contato assim que voltasse para casa.

Dentre os pedidos estavam: “Mãe se você tiver chegado em casa leia o resto tá. Se você tiver lendo isto é porque não estou em casa. Estou com o meu irmão porque eu liguei para ele, porque a senhora sumiu e não voltou para casa por 1 dia e meio…”, “Te amo mamãe, liga para o papai tá”, “Mãe por favor, volta logo. Eu estou na casa do meu irmão”. Os bilhetes nunca chegaram a serem lidos pela vítima

Ela já estava morta no banheiro do palhaço Sabiá. O assassino confesso afirma que quando Silvana chegou eles namoraram e depois foram tomar banho.  A polícia ainda vai investigar se houve violência sexual antes do feminicídio.

“Ele afirma que tentou convencê-la a continuar com ele. Mas ela negou. Ele saiu do banho primeiro, pegou a faca que já tinha deixado na cama e assim que ela saiu disse que 'se ela não fosse ficar com ele, não ia ficar com mais ninguém'. A vítima pediu para ele não matá-la, porque tinha filhos. Mesmo assim ele deu quatro facadas no peito dela”, relatou a delegada.

Depois disso ele arrastou Silvana para dentro do banheiro e limpou tudo. Em seguida foi para a casa da irmã e ficou até à noite. Na madrugada ele pegou a bicicleta e o celular da vítima e jogou perto da escola onde ele achava que a merendeira trabalhava.

Ao retornar fez uma nova limpeza e pensou em uma maneira de se desfazer do corpo. “Ele pediu a carriola de uma vizinha emprestada para fazer a mudança de casa. Na madrugada de quinta para sexta, colocou o corpo em um lençol e levou para a residência abandonada que fica a 100 metros da sua kitnet”.

Durante a sexta-feira o palhaço dormiu a manhã inteira. O responsável pela kitnet tentou acordá-lo para que ele fosse despejado do imóvel, por falta de pagamento do aluguel. Por volta do meio-dia Sabiá acordou, pegou suas coisas e usou o mesmo carrinho de mão para levar seus pertences até a casa da irmã, que mora no Jardim Los Angeles.

Nesta segunda-feira (14), os parentes viram a notícia da morte da merendeira que apontava o palhaço como suspeito. O cunhado de Sabiá colocou ele para fora da casa. Somente ontem ele decidiu se apresentar. “Peço perdão, se eu pudesse voltar no tempo não tinha matado. Me arrependo do que fiz. Peço perdão aos vizinhos e aos familiares dela”, disse o suspeito hoje para a imprensa. 

Sabiá já tinha respondido pelos crimes de lesão corporal, ameaça e atentado violento ao puder. Ele conheceu a vítima há cinco meses, durante um evento em que trabalhava de palhaço. Silvana ainda deixou uma menina de seis anos.


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