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Cultura
Noticia de: 12 de Julho de 2017 - 11:05
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Forte Coimbra celebra os milagres de Carmo, a santa padroeira

Campo Grande News

Militares e civis celebram neste fim de semana, no bicentenrio Forte Coimbra, em Corumb, momentos marcantes da nossa histria de lutas, crenas e mitos registrados durante a ocupao da fronteira do extremo oeste e a fixao dos limites do Brasil com o Paraguai. uma imagem de Nossa Senhora do Carmo, referenciada com honras militares na capela da fortificao, credita-se milagres que livraram tropas brasileiras de verdadeiros massacres.

Por mais de um sculo, a celebrao de 16 de julho, dia da padroeira do forte, cultua a f e mantm viva relatos que comprovam manifestaes da santa em dois episdios decisivos para a garantia da soberania brasileira naqueles confins. A festa tradicional tornou-se um produto turstico, que atrai pessoas de vrios lugares do Estado, onde se cumpre promessas e graas recebidas, manifestadas nas oferendas e lembranas deixadas no manto da santa.


O Forte Coimbra foi construdo em 1775, s margens do Rio Paraguai, e tombado pelo Instituto do Patrimnio Histrico e Artstico Nacional (Iphan) 200 anos depois. Situa-se entre morros, pouco acima onde existe o marco da trplice fronteira Brasil, Paraguai e Bolvia entre os pantanais de Corumb e Porto Murtinho. Sua construo, numa poca de total fragilidade dos limites de Portugal com a Espanha, gerou polmica, ao ser erguido em local errado. O ponto escolhido era o Fecho dos Morros, j prximo de Murtinho.

Guarda Real

Acredita-se a Nossa Senhora do Carmo milagres ocorridos durante as batalhas contra espanhis e paraguaios, em 1801 e 1864, respectivamente. Na primeira batalha, a santa teria livrou a guarnio militar do forte, que contava com 110 homens, cinco canoas e trs canhes, de um massacre no dia 17 de setembro de 1801, quando um exrcito espanhol formado por 600 homens, navios e 30 canhes, tinha ordem de ocupar o lugar na disputa pelo territrio com Portugal.

Aps nove dias de batalha, os espanhis venceram, mas, bateram em retirada ao verem a imagem da santa na entrada do forte. A segunda manifestao ocorreu durante a Guerra do Paraguai. No dia 28 de dezembro de 1864, a tropa paraguaia com 3,2 mil homens, 41 canhes, 11 navios e farta munio cercou o forte. Os brasileiros, com 149 homens, resistiram at o segundo dia, quando um soldado exibiu a imagem da santa na muralha do forte e os inimigos suspenderam o fogo, permitindo a fuga dos sobreviventes.

Hoje, uma imagem em concreto da santa se destaca na mesma muralha, de frente para quem sobe o Rio Paraguai, vindo dos pases inimigos. Na capela erguida na comunidade civil que habita o forte, a imagem cultuada a mesma trazida em 1798 pelo construtor e comandante do monumento, Ricardo Franco. Neste dia 16, ela ser carregada por uma guarda real com vestimentas de gala da poca do Imprio, em procisso que segue da capela para a vila militar e termina no Rio Paraguai.

Lugar Isolado

Muitas so as graas atribudas Nossa Senhora do Carmo, a quem tambm se atribui poderes milagrosos nas guas do interior da gruta Ricardo Franco, a terceira maior do Estado, onde uma estalagmite observada como semelhana a figura da santa. Apesar de a cincia considerar as guas cristalinas, contaminadas pelas fezes dos morcegos que nela habitam, a populao cr que residam poderes milagrosos no lquido. A visita gruta, distante 8 km da fortificao, faz parte do ritual.

De acordo com o pesquisador Raul Silveira de Mello, o primitivo Forte Coimbra foi oficialmente fundado em 13 de setembro de 1775, embora a deciso de estabelec-lo tenha sido tomada muito antes, no contexto da assinatura e das demarcaes decorrentes do Tratado de Madri (1750). O acesso, a partir de Corumb, possvel de barco ou avio. Projeta-se uma estrada rompendo os alagados pantaneiros. At incio dos anos 2000, no havia energia eltrica e o sinal de internet chegou nesta dcada.

O local histrico rodeado pela natureza um daqueles pedaos de cho onde o tempo parece andar mais devagar, onde as pessoas se conhecem por apelidos e atravs de toda a linhagem de ascendentes, onde as ruas de areia levam a poucos comrcios, pousadas e opes de lazer. Os civis, descendentes daqueles heris da Guerra do Paraguai, vivem da pesca e j passaram por leis rigorosas do comando militar local, que chegou a decretar toque de recolher. Hoje, impera a harmonia.

Viajar pela histria

A festa da padroeira, que comea na vspera, organizada pelo Exrcito e prefeitura de Corumb, e conta com uma intensa programao, reunindo shows, dana, missa, procisses terrestre e fluvial, baile e um grande churrasco de buraco, onde os fazendeiros da regio doam os bois. Participaro autoridades militares e civis, dentre elas o prefeito da cidade, Ruiter Cunha de Oliveira. O Navio Lerverger, da Marinha, levar este ano 90 convidados civis de Corumb.

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