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Saúde
Noticia de: 17 de Fevereiro de 2016 - 16:00
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Sem dados de infestação, combate ao Aedes aegypti é feito "no escuro"

As equipes que atuam no combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti – que transmite dengue, zika vírus e febre chikungunya –, em Campo Grande, trabalham sem informações relativas ao índice de infestação desde novembro de 2015. Por conta da epidemia de dengue, com mais de 9,3 mil casos notificados nos primeiros 46 dias do ano, o Lira (Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti) foi suspenso pelo Ministério da saúde.

Mas, a falta de informação resultante da medida atrapalha o trabalho desenvolvido pelos agentes e voluntários que atuam no combate mecânico dos possíveis criadouros do mosquito. “Estamos no escuro. Mesmo com meta de visitar todos os imóveis é difícil identificar os bairros com mais infestação. Isso porque o trabalho é feito com base no número de casos notificados na unidade de saúde do local que recebe o mutirão, por exemplo. Mas, uma pessoa doente pode procurar a unidade em outro bairro e isso dificulta o levantamento de dados”, afirma um supervisor de controle de endemias da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), que pediu para não ser identificado.

Ou seja, um bairro que recebe as ações intensificadas como força-tarefa, mutirões e fumacê, pode ter baixo índice de infestação do mosquito, mas alto número de notificações, já que pessoas com dengue (zika e chikungunya) que moram em outros lugares da cidade podem procurar atendimento em qualquer unidade de saúde.

Os dados utilizados pela Prefeitura para monitoramento têm como base apenas as notificações e relatórios feitos pelos agentes, já que o último LIRA foi divulgado em novembro. O próximo estudo deve ser feito apenas em março, conforme cronograma do Ministério da Saúde.

“Usamos as notificações de casos como fonte para as ações, mas esses dados podem não representar a realidade local. Outros bairros com menos notificações, podem ter muito mais mosquito”, acredita o supervisor.

Prova disso é baixo número de focos encontrados no Bairro Guanandi, que desde ontem (16) recebe o mutirão da Sesau em parceria com o Exército. Foram apenas cinco focos no primeiro dia de ações – enquanto o bairro tem média de 140 novas notificações por dia –, mesmo assim a previsão é de que o trabalho seja mantido no local até sexta-feira (19), para vistoria de 5 mil imóveis. Hoje (16) as ações continuam por lá e também nos bairros Jacy, Jardim Leblon e São Conrado.

“Pelo histórico do Guanandi achamos que teríamos muito mais focos, pois o bairro sempre foi problemático. Mas dessa vez nos surpreendemos, foram só cinco no primeiro dia. Porém, mesmo que fosse um foco já é ruim, pois um único mosquito pode matar uma pessoa”, afirmou o servidor da Sesau.

Um dos focos encontrados ontem (16) foi acompanhando de perto pela reportagem do Campo Grande News. Em uma fábrica de cadeiras, na Avenida Guinter Hans – que servia literalmente como berçário para a proliferação do Aedes –, uma máquina chamada de “banheira” e duas caixas d'água estavam infestadas de larvas.

Enquanto isso, uma das agentes de controle de endemias que mora e atua no Bairro Guanandi, Sarita Ogaia, 42 anos, foi afastada das funções, após ser diagnosticada com zika. Ela começou a apresentar os sintomas da doença há uma semana e mesmo assim continuou trabalhando, inclusive no mutirão realizado ontem (16). “Trabalhei doente durante quatro dias, mas estava sendo monitorada. Ontem a noite fui ao posto e a médica me afastou porque minha imunidade está muito baixa”, afirmou.

Mesmo morando e atuando no bairro foco das ações da Sesau e do Exército durante esta semana, ela não sabe se contraiu a doença no Guanandi. “Antes da manifestação dos sintomas eu trabalhei nos bairros Zé Pereira, Aero Ranho, União e Taquarussu, não tem como saber em qual deles eu fui infectada”, disse.

O titular da Sesau, Ivandro Fonseca, foi procurado para falar do problema causado pela suspensa do Lira, mas não respondeu as mensagens enviadas e não atendeu as ligações da reportagem.

Explicação – O Ministério da Saúde foi procurado pela reportagem e afirmou que o Lira, que serve para identificar os locais com maior infestação do Aedes, esta suspenso porque atualmente – por conta da epidemia – todos os imóveis brasileiros devem ser vistoriados. E por isso, ao contrário do que afirmam os servidores que atuam diretamente na extinção de criadouros do mosquito, não existiria a necessidade de identificar os locais com maior incidência do vetor.

Dados – Campo Grande registra um total de 9.367 casos notificados de dengue em 2016. Foram 8.699 casos em janeiro – com 275 confirmações, 4 pacientes graves e duas mortes – e 699 em fevereiro. Também foram registrados 986 casos notificados de zika (817 em janeiro e 169 em fevereiro), com 11 casos confirmados no mês passado. Já a chikungunya tem 98 casos, 86 em janeiro e 12 em fevereiro.

No boletim divulgado no dia 10 de fevereiro, a Sesau confirmou o registro de 91 novos casos suspeitos de dengue por dia. Em apenas nove dias foram 826 notificações da doença entre 2 e 10 de fevereiro. O boletim epidemiológico apontou aumento de 10,7% no número de notificações – eram 6.876 notificações, e passaram para 7.592, além de 111 em fevereiro, com um total de 7.702 notificações este ano.

Os casos de zika vírus também aumentaram, agora são 729 notificações de zika vírus, 701 em janeiro e 28 em fevereiro. Este ano a doença foi confirmada em duas mulheres que estavam grávidas, mas já tiveram bebê. No balanço anterior eram 487 casos. Já a febre chikungunya, que registrou 80 em janeiro, teve apenas uma notificação em fevereiro.

Enquanto as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti – dengue, zika e chikungunya – tem cada vez mais casos registrados em Campo Grande, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) ainda não divulgou o boletim epidemiológico. Os dados deveriam ser publicados na quarta-feira (10), mas por conta do período de carnaval não foram concluídos. A promessa era de que a divulgação seria na sexta-feira (12), o que também não aconteceu até agora.

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