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Guerra na Ucrânia: Conheça os novos tanques e mísseis mandados pelo Ocidente para ajudar a Ucrânia a recuperar territórios

Países da Otan enviam novos modelos de armamentos para Kiev tentar avançar reconquista de seus territórios.



Há um ano a Ucrânia tenta se defender com todos os meios disponíveis da invasão de seu território pela Rússia. O plano de Moscou de rapidamente dominar o país vizinho não saiu como esperado, e os ucranianos, ao longo dos meses, conseguiram recuperar vastas áreas perdidas para os invasores.

Agora, Kiev espera empurrar ainda mais a frente de combate para o leste, finalmente expulsando os russos, e as principais forças militares do Ocidente têm ajudado com financiamento, equipamentos e treinamento.
Com o sucesso das forças ucranianas em repelir parcialmente a invasão, aumentou a pressão sobre o EUA e potências europeias para cederem mais armas.


Após vários meses de negociações, os principais membros da Otan concordaram em ajudar ainda mais a Ucrânia. Começando por Alemanha, EUA e Reino Unido, diversos países decidiram enviar mais equipamentos militares para Kiev. O movimento demorou por conta de problemas políticos internos dos países.

Os social-democratas do chanceler alemão, Olaf Scholz, temiam que o envio pudesse gerar um acirramento das agressões russas e um aumento do risco de que a Otan seja arrastada para o conflito.
GLSDB (Bombas de pequeno diâmetro lançadas do solo)
Um dos principais armamentos para essa nova fase ofensiva da Ucrânia são os mísseis GLSDB. Esses projéteis serão enviados pelos EUA e podem ser disparados de qualquer local. São guiados por satélite e têm poder para penetrar blindagens.

A arma de maior alcance da Ucrânia atualmente é o Guided Multiple Launch Rocket System (GMLRS). Seus foguetes podem viajar 77 quilômetros, enquanto o alcance do GLSDB é de 151.

Um alcance maior permitiria que os militares ucranianos atacassem as forças russas de uma distância maior ou potencialmente penetrassem mais profundamente no território controlado pela Rússia.


Devido ao seu alcance de até 151 km, eles podem atingir todas as linhas de abastecimento da Rússia no leste da Ucrânia , bem como parte da península da Crimeia, também anexada por Moscou em 2014.

As GLSDBs são produzidas pela empresa sueca SAAB AB SAABb.ST em parceria com a Boeing. O primeiro teste foi realizado em 2015.

Os EUA não confirmaram quantas unidades do GLSDB serão enviadas para Kiev.

Leopard 1
O Leopard 1A5, fabricado na Alemanha de meados da década de 1960 a meados da década de 1980, foi o tanque de guerra principal das forças de defesa da Alemanha Ocidental. Eles não são usados ​​desde 2003, disse o porta-voz do Ministério da Defesa alemão, Arne Collatz.
Podendo atingir até 65 km/h em estrada livre, o Leopard 1 pode percorrer uma distância de até 550 km sem precisar reabastercer, o que pode ajudar na conquista de áreas terrestres.

A data para a chegada da remessa de armas ainda não foi divulgada, mas é esperado que os veículos blindados possam ser um diferencial para o sucesso de Kiev na reconquista de territórios dominados pela Rússia.

A Alemanha deve enviar cerca de 30 desses veículos para a Ucrânia. A Noruega também se propôs a enviar tanques desse tipo, mas não anunciou quantidades.

Leopard 2
Produzido pela Krauss-Maffei, o Leopard 2 é maior e mais pesado que seu antecessor. Ele é frequentemente comprado por diversos países da Otan. Considerado "o principal tanque de batalha do mundo", o Leopard 2 A6 pesa 62 toneladas e atinge até 70 km/h.


Por quase meio século, o Leopard combinou aspectos de poder de fogo, proteção, velocidade e facilidade de manobra, tornando-o adaptável a muitos tipos de combate.

Sua arma principal é um canhão de cano liso de 120 mm e ele possui um sistema de controle de tiro totalmente digital.

Alemanha, Espanha, Finlândia e Polônia disseram que irão enviar armamentos desse modelo para Kiev. Ao menos 40 devem chegar entre março e abril.

M1 Abrams
Um dos melhores e mais aprimorados tanques americanos, o M1 Abrams também chega a 70 km/h e, diferentemente da maioria dos tanques, tem duas metralhadoras além do canhão principal. Uma delas é de calibre 50, ou seja, atira mais devagar mas com mais letalidade.


Ele é considerado muito avançado tecnologicamente e seu envio para Kiev foi repensado algumas vezes devido ao tempo que ele levaria para que os militares ucranianos pudessem pilotá-lo.

Mesmo assim, acredita-se que em alguns meses esses blindados possam estar sendo 100% utilizados.

Trina e um desses tanques serão enviados pelos EUA para a Ucrânia.

Challenger 2
Velho integrante forças armadas britânicas, o Challenger 2 não atinge grandes velocidades, apenas 60 km/h, porém compensa isso no tamanho.

A Vickers Defence Systems, fabricante dele, garante que é o tanque mais confiável do mundo.

O modelo passou a ser operado pelos britânicos em 1991 e esteve em combate em 2003 durante a invasão do Iraque.
Catorze tanques desse modelo serão enviados para a Ucrânia pelo Reino Unido.

O que isso pode mudar na guerra?
Yohann Michel, analista de pesquisa para assuntos militares e de defesa no Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, diz que esses tanques podem permitir que a Ucrânia parta para a ofensiva no conflito que está praticamente parado há meses após duas contraofensivas ucranianas importantes que recapturaram áreas ocupadas por forças russas por meses no nordeste e no sul.

“Neste tipo de conflito, simplesmente não é possível realizar ofensivas em larga escala sem toda a variedade de equipamentos blindados de combate, e os tanques fazem parte disso”, disse ele. Além dos tanques principais de batalha, ou MBTs, como o Leopard 2, são importantes também os veículos de combate de infantaria .
As entregas dos Leopard 2 podem ajudar a equipar a Ucrânia com munições de alto calibre necessárias para substituir seus próprios estoques da era soviética, abrindo um novo caminho para o fornecimento constante de poder de fogo ocidental, explica.

Ralf Raths, diretor do Panzer Museum em Munster, na Alemanha, observa que o Leopard 2 e tanques ocidentais semelhantes são mais ágeis do que os "modelos T" usados pela Rússia, que não podem mudar de direção com velocidade, por exemplo.

“Imagine um boxeador que não pode se mover livremente no ringue, mas apenas em uma direção”, disse ele. “O outro boxeador, que pode se mover em todas as direções, tem uma grande vantagem e é o caso dos Leopards.”

Niklas Masuhr, pesquisador do Centro de Estudos de Segurança da Universidade Politécnica Federal da Suíça, alertou que a adição de Leopards ao campo de batalha por si só não seria “uma virada de jogo ou uma tecnologia vencedora de guerra, nada disso .”

“Você não pode simplesmente implantar um monte de tanques de batalha principais e presumir que eles vencerão”, disse ele. “Eles são muito valiosos, mas você ainda precisa usá-los da maneira correta e integrá-los a todas as outras ferramentas militares que você tem à sua disposição”, como infantaria, artilharia, defesa aérea, engenheiros de combate e helicópteros.