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Mundo
Noticia de: 24 de Fevereiro de 2022 - 15:20
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Entenda por que a Rússia decidiu invadir a Ucrânia

A escalada da tensão entre Rússia e Ucrânia atingiu seu ápice na madrugada desta quinta-feira (horário de Brasília), 24, com a invasão de tropas russas ao território ucraniano

COM INFORMAÇÕES: O POVO 

A escalada da tensão entre Rússia e Ucrânia atingiu seu ápice na madrugada desta quinta-feira (horário de Brasília), 24, com a invasão de tropas russas ao território ucraniano. O presidente russo Vladimir Putin autorizou uma operação militar que já registrou ataques aéreos em todo o país e ainda a entrada de forças terrestres ao Norte, Leste e Sul.                                
                            
Somado a isso, Putin já havia reconhecido a independência das províncias separatistas de Donetsk e Luhansk, que ficam próximas da fronteira, gerando sanções econômicas do ocidente. O Parlamento russo havia autorizado ainda o uso de tropas militares fora do território do país; o que sinalizou para uma intenção russa de atuação na Ucrânia.
As divergências entre as nações remetem ao final da Guerra Fria, em 1991, que culminou na dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). No entanto, há partes da Ucrânia profundamente ligadas à Rússia desde então, com relações de cunho cultural, como no caso do idioma; o russo é falado amplamente em parte do território ucraniano, como em porções mais ao Leste.
À época da derrocada do bloco soviético, a recém-independente Ucrânia ficou com o terceiro maior arsenal atômico do mundo, já que enquanto era parte do grupo, era uma das zonas mais populosas e responsável por armazenar parte das armas nucleares. Com o fim do conglomerado, negociou-se a retirada dessas armas da Ucrânia, que abriu mão delas em troca de garantias de que os russos não atacariam suas fronteiras e respeitariam a soberania local.
Aproximação da Ucrânia com o Ocidente
Uma das razões que reacendeu as tensões, desta vez, foi a crescente aproximação da Ucrânia com o Ocidente. Seja pelo interesse do governo local de entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ou mesmo na União Europeia (UE). A Otan é uma aliança militar, criada em 1949, formada por 30 nações. Dentre elas, grandes potências ocidentais como os Estados Unidos, a Alemanha, a França e o Reino Unido.
Outras nações que já fizeram parte do conglomerado soviético, como Lituânia, Letônia e Estônia, já se associaram à Otan e hoje são membros da aliança militar internacional. Como a Ucrânia é praticamente o território que separa a Rússia da União Europeia, os russos passaram a ver a proximidade como uma ameaça aos seus interesses políticos, comerciais e zonas de influência russa no Leste Europeu.
Desde 2008, quando a Otan começou a considerar a entrada da Ucrânia, as relações começaram a esquentar. De lá para cá, o presidente russo aponta que a expansão da Otan pelo Leste Europeu é uma ameaça existencial aos russos. Uma das demandas de Moscou para evitar o conflito que ocorre atualmente era uma garantia de que a Ucrânia jamais se tornaria um país-membro da Otan.
Para os russos, um vizinho tão próximo, geograficamente e culturalmente, curvando-se aos interesses ocidentais acarretaria uma perda de força na região e, posteriormente, no tabuleiro do jogo de poder global. O líder russo considera que o Ocidente se aproveitou de um momento de fraqueza pós-União Soviética para dominar nações vizinhas. Putin aponta como cenário ideal um quadro em que a Otan retornaria à composição anterior ao ano de 1997, o que excluiria as ex-repúblicas soviéticas da organização.
Um fator importante a ser considerado é que a Otan estabelece que um ataque a um país-membro significaria um conflito contra todo o bloco militar. Na prática, significa dizer que caso a Ucrânia entrasse na aliança e sofresse um ataque russo, isso poderia gerar um conflito generalizado.
A Crimeia
O conflito de 2022 é também uma continuação das tensões que levaram os russos a anexar a região da Crimeia oito anos antes. Em 2014, com a queda do então presidente ucraniano pró-Rússia, Viktor Yanukovych, após meses de protestos populares, o Kremlin agiu para anexar a península da Crimeia e apoiou grupos separatistas que tomaram o controle de duas províncias no leste ucraniano.
De lá para cá, mais de 14 mil pessoas morreram em conflitos entre rebeldes e forças ucranianas. Acordos de paz firmados em 2015 (Acordos de Minsk) diminuíram a intensidade dos conflitos, mas não os cessaram por completo.
Nesta semana, Putin anunciou que reconheceria as províncias separatistas de Luhansk e Donetsk, uma demanda antiga dos separatistas dessas regiões, o que além de agravar a crise com o Ocidente, desrespeitou termos do próprio acordo de paz firmado à época da anexação da Crimeia.
Bem como a Crimeia, a região que compreende Luhansk e Donetsk é um local onde grande parte da população é etnicamente ligada à Rússia.
Força militar
Outra possível motivação da invasão, neste momento, é mostrar ao ocidente a força e firmeza com a qual os russos pretendem tratar a questão para barrar o avanço da Otan e seus membros.
O que pode elevar a força interna de Putin, como ocorreu na anexação da própria Crimeia segundo levantamentos feitos à época. A confiança no líder russo, um ano após anexar a Crimeia, girou em torno dos 80%, segundo dados da organizações russas independentes.
O sucesso em questões de política externa pode ser ainda um refresco para amenizar problemas caseiros de ordem econômica. As sanções do ocidente contra os russos, já anunciadas por algumas nações e que devem se agravar nos próximos dias, serão usadas por Putin como justificativa para possíveis efeitos econômicos no território russo, na tentativa de gerar um sentimento comum na Rússia que justifique a postura ofensiva.
Outro ponto relevante é que a Otan não aceita, em tese, a entrada de novos membros em conflitos ativos ou sem controle de seus respectivos territórios. Na prática, a invasão russa enterra qualquer chance, a curto e médio prazos, de a Ucrânia adentrar na aliança. O Ocidente pode ceder armas e recursos para os ucranianos, como já vinha fazendo, mas como eles não são membros da Otan, não é esperado, até o momento, que o bloco militar vá a uma guerra direta com suas tropas para defender os ucranianos.

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